A partir de um grupo de Whatsapp foram postadas mensagens com fotos de uma suposta sequestradora de crianças. Independente de a informação ter sido falsa, uma transeunte foi associada a foto e linchada pela população.
Análise às fakenews produzidas em grupos de whatsapp e as possíveis consequências
A sociedade contemporânea traçou uma linha invisível entre o real e virtual. Segundo Durkheim, o individuo é um produto do estado social que limita o egoísmo humano em determinado grupo social.
O homem carrega uma essência deturpada de valores divergentes que, em alguns momentos, excedem o limite social para manifestar seus desejos mais absurdos de enganar, ter vantagem sobre algo ou outrem e, por fim, satisfazer seus anseios particulares.
Desde os primórdios da humanidade a mentira é utilizada como estratégia que ignora os limites sociais e coletivos de forma que implica em um subterfúgio subalterno que inflige os limitadores da sociedade. Se a formação da sociedade supõe a harmonia coletiva, cabe dizer que a limitação do homem produz contextos antissociais capazes de manipular a razão e causar sensações inspiradas em alívio e paz.
O fato em evidência é a produção de fakenews, informações falsas de fatos ou ocorrências que macula a imagem de algo ou de alguém, multiplicadas pelo advento da tecnologia e imediatismo das redes sociais como, por exemplo, o Whatsapp.
Para Durkheim a socialização do individuo pressupõe a exposição do que é abrigado na mente, sob uma visão orientadora do que se deve ser. Tal característica solidifica a existência dos fatos sociais que, de acordo com esse principio, é aduzido por uma essência humana que na maioria das vezes é impura.
São prerrogativas dos homens solidificar verdades ou disseminar mentiras. Todavia, ao escolher falsificar uma informação é notório que há uma quebra no trato social e nas relações humanas de harmonia, alimentando os instintos irracionais do ser humano e afastando a prioridade lógica da sociedade sobre os indivíduos.
Uma rede social é um espaço virtual desobrigado de limitar os fatos sociais. O conceito de certo ou errado deve partir da mente humana, baseado nos fundamentos morais e éticos que lhe impõem limites quanto às ações realizadas no meio social. Ao disseminar um fakenews o individuo se veste de um comportamento egoísta e perverso que ignora qualquer sentimento de culpa ou noção de perigo que seu ato possa gerar.
Enquanto acontecimento social a pratica do fakenews converge com o conceito de solidariedade orgânica, na qual existe necessariamente a busca do individualismo, a distinção dos interesses e o afastamento da coletividade quanto crenças e valores. Ressalta-se, ainda, que ao induzir uma notícia fantasiosa o individuo busca manipular os conceitos individuais, de tal forma a substituir os valores morais de outrem pelos seus.
Por fim, o avanço dessa criação inverídica dos fatos, acarreta em cegueira e coesão sob uma ótica moral superficial baseada em uma forma de alívio momentâneo e um senso comum de liberdade e justiça social.
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