Machado de Assis, na Teoria do Medalhão, monta um diálogo que envolve dois personagens: pai e filho. Neste diálogo há uma clara crítica feita pelo autor à sociedade.
A Teoria do Medalhão trata-se de ensinamentos, os quais são feitos por um pai ao seu filho
que acabara de completar 21 anos de idade. Consiste em demonstrar como
seria possível atingir prestígio e fortuna. O pai, frustrado por não alcançar
tais feitorias em sua vida, deseja então ver seus desejos sendo materializados
por seu filho.
Neste diálogo o
filho aceita passivamente todas as imposições que lhe são feitas, onde o pai é
o sujeito ativo em todo o enredo. Nesse sentido, é importante destacar alguns
pontos dessa história:
- O pai dá conselhos sobre como agir em diversas/possíveis situações que o filho poderá se encontrar;
- Para se tornar um verdadeiro medalhão não se pode utilizar da ironia;
- Não se pode infringir regras e obrigações;
- Deve-se reprimir ideias próprias;
- O conhecimento para obtenção da posição almejada não estaria nas livrarias, mas sim nos boatos, senso comum;
- O pai, por fim, proíbe que o filho tire quaisquer conclusões que não sejam as que já foram achadas por outras pessoas.
Reflexões sobre o prisma Marxista:
- O pai ensina o filho a “fazer, ser” sem questionar, o que denota alienação do pensamento.
- O filho precisa aprender, para torna-se medalhão, a lidar com as regras impostas pela sociedade, o que explicita a relação da classe dominante sobre a dominada.
- Os conselhos do pai têm o objetivo de mostrar ao filho como chegar ao “topo’ da sociedade, desse modo, ensina-o a legitimar os interesses da classe dominante.

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